O que você sabe sobre depressão atípica e como identificá-la em seus pacientes? Tire suas dúvidas sobre esse tipo de depressão e conheça suas manifestações com nosso novo artigo!
A depressão atípica é uma das manifestações do transtorno depressivo maior ou depressão maior. O que distingue a depressão atípica das demais é a "reatividade do humor", ou seja, o humor melhora diante de situações positivas. Além disso, o "afeto positivo" — um sentimento generalizado de satisfação, mesmo durante períodos de tristeza — é característico desse quadro.
O transtorno depressivo maior atípico é mais recorrente em mulheres do que em homens. Também é mais frequente em adultos jovens do que em idosos. Normalmente, a condição se inicia durante a adolescência ou na juventude. Contudo, é essencial reforçar que a depressão atípica é uma condição que requer diagnóstico específico para um tratamento adequado. Por isso, é fundamental que o profissional esteja capacitado para diagnosticá-la. Quer saber mais sobre o tema? Acompanhe!
O que é depressão atípica?
A depressão atípica é um termo leigo utilizado para descrever o diagnóstico de qualquer “transtorno depressivo” que possa apresentar o especificador “com sintomas típicos”. Em outras palavras, não é uma entidade diagnóstica autônoma. Primeiramente, é preciso identificar algum dos transtornos depressivos do DSM-5 para, depois, aplicar o especificador.
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Episódio depressivo
De acordo com o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª Edição), em um episódio depressivo, um indivíduo deve estar experimentando cinco ou mais dos seguintes sintomas:
- humor deprimido, indicado por relato subjetivo. O paciente pode relatar se sentir triste, vazio ou sem esperança. Em crianças e adolescentes, esse sintoma pode ser substituído pelo humor irritável;
- acentuada diminuição do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades;
- perda significativa de peso ou ganho de peso sem motivo, diminuição ou aumento do apetite;
- insônia ou hipersonia;
- agitação ou retardo psicomotor;
- fadiga ou perda de energia;
- sentimentos de inutilidade, culpa excessiva ou inadequada;
- diminuição da capacidade de pensar ou de concentrar-se ou aumento da indecisão;
- pensamentos recorrentes de morte, ideação suicida recorrente, planos de suicídio ou uma tentativa de suicídio.
Para caracterizar o transtorno mental, esses sintomas, em geral, devem estar presentes quase todos os dias durante o mesmo período de duas semanas e pelo menos um dos sintomas deve ser humor deprimido ou perda de interesse ou prazer.
Critérios adicionais
Além disso, é importante que o paciente preencha alguns critérios adicionais:
- Critério funcional — Para ser considerado um episódio depressivo maior, os sintomas devem causar sofrimento clínico significativo ou prejuízo no funcionamento do indivíduo.
- Critérios de exclusão — Os sintomas não podem ser atribuídos a substâncias ou outra condição médica. E a ocorrência do episódio depressivo não está melhor explicada por transtornos bipolares, transtornos esquizoafetivos, esquizofrenia, delírio esquizofrênico e outros transtornos psicóticos.
Como diagnosticar a depressão atípica?
O paciente precisa ter um ou mais episódios de depressão maior atualmente, conforme descrito no item anterior. Ele pode, por exemplo, preencher critérios para um transtorno distímico ou para o transtorno depressivo maior.
Durante a maior parte episódio depressivo, o humor da pessoa melhora temporariamente em resposta a eventos positivos. Isso é conhecido como humor reativo. Além disso, ela deve apresentar dois ou mais dos seguintes sintomas:
- experimentar um aumento considerável do apetite ou ganho de peso;
- dormir excessivamente (geralmente mais de 10 horas por dia) durante o episódio depressivo, quadro conhecido como hipersonia;
- sentir uma sensação de peso nos membros durante o episódio depressivo;
- apresentar sensibilidade à rejeição pessoal, causando um impacto significativo em sua vida social ou profissional.
Esses sintomas devem ser uma mudança notável do comportamento usual da pessoa e estar presentes também na maioria dos dias.
Tratamento farmacológico da depressão atípica
Em geral, o tratamento da depressão atípica é semelhante ao da depressão atípica. Não existe evidência científica a respeito da superioridade de algum antidepressivo. Contudo, existem relatos anedóticos que sugerem a superioridade de antidepressivos com perfil mais ativador.
Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRSs)
Funcionam inibindo a recaptação de serotonina, um neurotransmissor que ajuda a regular o humor, no cérebro. Isso aumenta a disponibilidade da serotonina na fenda sináptica. As moléculas dessa classe são: fluoxetina, sertralina, escitalopram, citalopram, fluvoxamina e paroxetina. Existe evidência anedótica de que a sertralina e a fluoxetina sejam uma melhor opção para a depressão atípica.
Inibidores da Recaptação de Serotonina e Norepinefrina (IRSNs)
Também chamados de duais, funcionam de maneira semelhante aos ISRSs, mas afetam tanto a serotonina quanto a norepinefrina. As moléculas dessa classe incluem a venlafaxina, a desvenlafaxina e a duloxetina.
Bupropiona
Ela atua sobre a dopamina e sobre a norepinefrina, mas não sobre a serotonina. Há também evidência anedótica que sugira a superioridade dessa medicação para a depressão atípica. Afinal, apresenta efeitos inibidores do apetite e um perfil mais ativador, melhorando a fadiga e a motivação dos pacientes. Deve ser evitado, contudo, caso haja sintomas ansiosos significativos.
Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina e Antagonistas de Serotonina (ISRSAs)
Esses medicamentos têm uma ação dupla, inibindo a recaptação de serotonina e agindo como antagonistas dos receptores de serotonina em determinadas regiões do cérebro. Um exemplo é a vortioxetina, que também pode ser uma opção interessante na depressão atípica devido ao seu perfil ativador.
Tratamento não farmacológico do transtorno depressivo
As estratégias não farmacológicas podem ajudar a melhorar o humor geral e aumentar a eficácia do tratamento farmacológico.
Psicoterapia
As terapias cognitivo-comportamentais (TCC) têm se mostrado eficazes no tratamento da depressão atípica. A TCC pode ajudar os pacientes a identificar e mudar padrões de pensamentos negativos e comportamentos que contribuem para a depressão.
Mudanças no estilo de vida
Além da medicação e da psicoterapia, as recomendações para o tratamento da depressão atípica podem incluir mudanças no estilo de vida, como:
- exercícios regulares;
- dieta saudável;
- sono adequado (pode ser necessário incentivar o paciente a dormir menos de 9 horas por dia);
- redução do consumo de álcool;
- cessação do tabagismo.
Meditação
A prática da mindfulness, que envolve a consciência plena e não julgadora do momento presente, pode ajudar os indivíduos com depressão atípica a desenvolverem uma relação mais saudável com seus pensamentos e emoções. Ao cultivar a atenção plena, as pessoas podem aprender a reconhecer e aceitar suas emoções sem se apegar a elas ou se deixar levar por pensamentos negativos automáticos.
Isso promove uma maior resiliência emocional e a capacidade de lidar com os desafios e estresses associados à depressão atípica. Além disso, a prática da mindfulness pode ajudar a reduzir a sensibilidade à rejeição social, permitindo que os indivíduos desenvolvam uma maior autocompaixão e uma melhor percepção de si mesmos.
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É fundamental realizar um diagnóstico preciso dos transtornos depressivos, incluindo a caracterização dos especificadores. Assim, é possível identificar a depressão atípica e indicar um tratamento individualizado para seu paciente.
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