Conheça o movimento slow medicine

Para oferecer qualidade no atendimento aos seus pacientes, seja trabalhando como médico em um hospital ou clínica, seja em seu consultório próprio, é preciso conhecer o movimento slow medicine.

A prática ganha cada vez mais espaço na comunidade médica, tanto para quem atende pacientes quanto para quem seguiu a área acadêmica. Mas qual o motivo do surgimento da Medicina lenta?

A razão talvez seja a filosofia por detrás da tendência em resgatar os valores fundamentais da Medicina que já verificávamos em Hipócrates. Mas o movimento também traz conceitos atuais que permeiam o dia a dia de muitos profissionais adeptos da Medicina humanizada.

Continue lendo e veja um panorama da saúde no Brasil e, a seguir, saiba mais sobre a slow medicine!

Como é a qualidade das consultas médicas no país?

Em 2020, o Brasil atingiu a marca de meio milhão de médicos em atividade. No entanto, apesar de esse ser um número alto de profissionais, essa marca não significa um maior acesso à saúde de qualidade para os brasileiros.

Uma pesquisa do Datafolha, mostrou que 89% dos brasileiros consideram tanto o sistema de saúde público quanto o privado como péssimo, ruim ou regular. Esta avaliação negativa da saúde brasileira contempla 94% das pessoas que possuem planos de saúde e 87% daquelas que utilizam o Sistema Único de Saúde (SUS).

Com relação às diferenças entre ambos explicamos abaixo.

1. Rede pública

No sistema público, 74% dos entrevistados mencionaram ter dificuldades em marcar consultas com médicos especialistas e 68% tiveram algum tipo de problema relacionado às cirurgias. Confira o que os entrevistados acham sobre o sistema público de saúde!

SUS como prioridade

Para 88% dos indivíduos entrevistados, o SUS deve continuar como modelo de assistência com acesso universal, integral e gratuito para os cidadãos brasileiros. Ou seja, a porcentagem elevada aponta que o SUS como política social é muito relevante na pesquisa.

Falta de recursos e má gestão

Segundo a pesquisa, 83% das pessoas ouvidas creem que os recursos públicos não são administrados adequadamente, 73%, acreditam que o atendimento médico não é igual para todas as pessoas e para 62%, o SUS não conta com gestores eficientes. Vale mencionar que dentre os 14 serviços oferecidos em postos e hospitais avaliados, 11 foram criticados.

Baixa acessibilidade

A pesquisa apontou os itens que apresentam mais dificuldade para acessar. São eles:

  • procedimentos como diálises, quimioterapia e radioterapia — para 58% das pessoas;
  • atendimento com profissionais de saúde não médicos — para 59% dos entrevistados;
  • consultas com médicos especialistas — para 74% dos indivíduos;
  • internação em leitos de UTI — para 64% das pessoas;
  • exames de imagem — 63% dos entrevistados;
  • cirurgias — para 68% dos indivíduos.

Principais dificuldades

Quando não há recursos suficientes para atender à demanda, tudo fica mais lento e os pacientes sofrem. Isso pode ser devido à falta de recursos financeiros no SUS, conforme mencionado por 15% dos entrevistados.

A má gestão administrativa e operacional também foi citada por 12% das pessoas pesquisadas. Outros problemas comuns incluem a falta de médicos (10%) e a dificuldade de agendar consultas ou cirurgias (10%).

2. Rede privada

Um dos principais problemas de saúde no país, segundo uma pesquisa feita pelo IPEC, em solicitação do portal O GLOBO para entender como os brasileiros enxergam os principais problemas do Brasil.

Para 15% dos entrevistados, a saúde foi considerada o terceiro problema mais importante do país. O alto custo do tratamento também foi mencionado como um problema por 13% dos entrevistados. Destes, 60% disseram ter dificuldade em pagar pelos medicamentos e 62% disseram ter dificuldades em pagar pelas consultas médicas.

A saúde privada no Brasil é muito cara e isso afeta muitas pessoas que não têm condições de pagar o tratamento. Este é um dos principais problemas de saúde do país que precisa ser resolvido e, em parte, vem sendo amenizado pelas clínicas médicas populares.

Os problemas mais mencionados com relação à saúde privada no Brasil, segundo os usuários dos planos de saúde, são:

  • pouca cobertura de procedimentos, incluindo as cirurgias;
  • demora para marcar consultas, exames e cirurgias;
  • poucos médicos e hospitais credenciados;
  • valores baixos de reembolso.

O que é slow medicine (Medicina lenta)?

Esta expressão descreve um movimento na área da saúde que busca fornecer cuidados de alta qualidade, centrados no paciente, baseados em evidências e fatores econômicos.

No mundo

O movimento slow medicine foi baseado nos princípios do slow food — focado em fornecer alimentos saudáveis, preparados de formas sustentáveis e, ao mesmo tempo, saborosos.

A primeira referência ao termo slow medicine surgiu no artigo “Invitation to a Slow Medicine” do médico italiano Alberto Dolara, publicado em 2002 no Italian Heart Journal. Nele, o médico destaca que o movimento Slow surgiu como resposta a um dos aspectos da “aceleração na sociedade moderna”.

No artigo, ele indica que diversas áreas podem se beneficiar com a Medicina lenta como:

  • os cuidados paliativos em pacientes terminais;
  • as doenças infecciosas ou crônicas;
  • os tratamentos de idosos;
  • a Medicina Preventiva;
  • a Oncologia.

Para ele, todos esses benefícios surgiriam a partir de uma abordagem muito mais cautelosa.

Em 2008, surgiu o primeiro artigo publicado em uma revista de língua inglesa, pelo médico Ladd Bauer. Ele criou o primeiro website sobre a Slow Medicine, no qual reúne um número excepcional de informações com relação a essa nova forma de praticar a Medicina.

A primeira Sociedade de Slow Medicine foi constituída na Itália em janeiro de 2011, quando foi criado o manifesto multilíngue do movimento, que preconiza que a Medicina deve ser sóbria, respeitosa e justa, conceitos que serão detalhados mais adiante.

Já em 2014, o Dr. Atul Gawande publicou um artigo no The New England Journal of Medicine propondo um novo foco no paciente para melhorar os cuidados de saúde.

Ele argumentou que, embora tenhamos feito grandes avanços na ciência e tecnologia médicas, isso nem sempre se traduziu em melhores resultados de saúde. Em vez disso, muitas vezes acabamos tratando demais os pacientes, o que pode causar mais danos do que benefícios.

A Medicina lenta consiste em encontrar o equilíbrio certo entre fazer muito e pouco. Trata-se de usar nossos recursos limitados com sabedoria para que possamos fornecer cuidados de alta qualidade e, ao mesmo tempo, considerar as necessidades de nosso planeta.

No Brasil

Em nosso país, o movimento também é conhecido como Medicina lenta, e teve destaque em 2014 (com uma entrevista do cardiologista Marco Bobbio) e, a partir de então, cresce à medida que mais pessoas estão se conscientizando da importância de fornecer cuidados de qualidade com base nas necessidades do paciente como um todo e não apenas na doença ou no órgão afetado.

A Medicina lenta é completamente o oposto do atual modelo médico acelerado e orientado pela tecnologia — embora ambos possam ser complementares, como no caso da tecnologia da longevidade. Ela coloca o paciente em primeiro lugar e se concentra no desenvolvimento de um relacionamento de longo prazo entre médico e paciente.

Ou seja, trata-se de uma maneira muito mais humanizada de fazer Medicina, aproximando pacientes e médicos, além de outros profissionais de saúde — como enfermeiros e farmacêuticos — e propõe diálogos sem barreiras.

Esse tipo de cuidado não é benéfico apenas para os pacientes, mas também para os médicos que podem prevenir o esgotamento trabalhando de forma mais sustentável.

Para o médico italiano Marco Bobbio, diretor da Associação Italiana de Slow Medicine, “desprescrever” medicamentos pode trazer benefícios. Segundo ele, em entrevista ao Estadão:


“Às vezes, uma pessoa vai a vários especialistas e cada um prescreve um medicamento, sem ao menos perceber que pode haver interação entre eles”.


E completa:


“Em alguns casos, mudar o estilo de vida já é suficiente.”

Como o movimento slow medicine funciona?

Para que funcione adequadamente, ao adotar a slow medicine é preciso reservar um tempo de qualidade para os pacientes, em vez de se apressar nas consultas. Trata-se de se dedicar a conhecer pacientes e familiares para poder entender seus valores e preferências.

Os médicos devem ser honestos com os pacientes sobre o que pode ou não ser feito em relação à saúde, além de estarem abertos a novas ideias e dispostos a mudarem de ideia quando surgir novas evidências.

A Medicina lenta oferece uma forma alternativa de pensar sobre cuidados médicos que pode nos ajudar a encarar alguns dos desafios que enfrentamos na área da saúde atualmente com valores convergentes com os da Medicina da Família e Comunidade.

Quais são os pilares da slow medicine?

A primeira sociedade a tratar do tema surgiu em 2011 na Itália com um grupo que criou o manifesto em que foi elencado três princípios de conduta, os quais servem para guiar o conceito. Veja quais são eles abaixo.

1. Sóbria

Afirma que a Medicina está totalmente ligada à capacidade de atuar de forma moderada e que nem sempre fazer mais pelo paciente significa fazer melhor.

Dessa forma, a prática médica precisa ser feita de maneira gradual, sempre de forma focada e sem desperdiçar os recursos disponíveis. Outrossim, implica respeitar o ambiente e proteger o ecossistema.

2. Respeitosa

Neste pilar, a Medicina precisa entender e aceitar os valores de cada paciente, além de suas preferências e vontades. Ou seja, os profissionais de saúde devem agir respeitosamente e dedicar-se ao indivíduo, respeitando suas necessidades e desejos.

Por fim, é preciso prezar pelo relacionamento honesto, dedicado e sempre com muita atenção em todos os atendimentos prestados.

3. Justa

Prega que a essência da Medicina está em combater a desigualdade bem como facilitar o acesso à assistência médica, garantindo os cuidados justos e mais adequados para todos os pacientes.

Como a Medicina lenta pode ser adotada?

Na prática, a slow medicine é adotada de acordo com determinados princípios criados por médicos brasileiros que se uniram para criar o website Slow Medicine Brasil.

Neste portal, são divulgados textos reflexivos sobre o conceito da Medicina lenta em diferentes especialidades médicas. Conheça os 10 princípios da Medicina lenta!

1. Tempo

A melhor maneira de fornecer cuidados de qualidade é passar mais tempo com os pacientes e entendê-los para encontrar o tratamento ideal. Trata-se do entendimento de que dedicar mais tempo e atenção total ao paciente é imprescindível para tomar as melhores condutas médicas.

2. Individualização

Na slow medicine cada paciente é tratado como um indivíduo, em vez de ser agrupado em uma categoria geral. Isso permite um atendimento médico mais personalizado, o que pode levar a melhores resultados gerais de saúde — sendo essencial para fornecer cuidados individualizados e de alta qualidade.

3. Autonomia e Autocuidado

Este princípio traz o foco para os valores, expectativas do paciente, incluindo também o seu ambiente de cuidados, seus familiares, amigos, e outras fontes de apoio, incluindo seus psicoterapeutas.

Em segundo lugar, ajudam a garantir que os pacientes recebam os cuidados que desejam e precisam, em vez do que o médico ou a seguradora determinam. Por fim, esses princípios podem ajudar a reduzir intervenções e custos médicos desnecessários.

4. Conceito positivo de saúde

Na filosofia da Medicina lenta, este conceito direciona o foco do atendimento para o autocuidado e a resiliência, enfatizando a saúde e não a doença. Dessa forma, é possível destacar a prevenção dessas doenças, além de manter a qualidade e a acessibilidade de todo o tratamento, incluindo aos exames.

5. Prevenção

Neste caso, recebem enfoque as boas práticas que garantem uma melhor qualidade de vida aos pacientes. Elas estão citadas a seguir:

  • boa alimentação;
  • exercícios físicos;
  • saúde psíquica;
  • entre outros fatores para manter o corpo e a mente sadios.

6. Qualidade de vida

Este princípio da slow medicine é fundamental. Segundo ele, os tratamentos de saúde devem focar em qualidade, não em quantidade. Dessa forma, sempre que possível, é preciso considerar a não intervenção, o que é descrito como saber praticar a observação clínica.

No entanto, essa atuação pode vir dos muitos anos de prática médica, em que o médico consegue avaliar o paciente desde o momento em que ele entra no consultório, observando muito além dos sintomas relatados, ou seja, seus gestos, seu modo de viver etc.

7. Medicina integrativa

Neste caso é pregada a união das duas abordagens do tratamento médico: a Medicina tradicional se for indicada e, se possível, e a feita de forma complementar, sobretudo embasada em evidências.

Qualquer que seja a abordagem, é preciso colocar a segurança em primeiro lugar, tendo em mente que, em alguns tratamentos, a eficácia não será alcançada. Na Medicina integrativa, as palavras-chave são equilíbrio, harmonia e recuperação (sempre que possível).

8. Segurança em primeiro lugar

Este princípio ressalta que, antes de tudo, o médico deve considerar o lema de não causar mal ao paciente. Isto é, todas as vezes que achar ser necessário, o profissional de saúde deve deixar de intervir.

9. Paixão e compaixão

Aqui, é postulado que os médicos devem fazer os atendimentos com paixão por cuidar, bem como prezar sempre pela compaixão na atenção médica. Neste caso, deve-se destacar a busca frequente pelo atendimento humanizado durante a assistência aos pacientes.

10. Uso parcimonioso da tecnologia

Este princípio preconiza que usar a tecnologia no atendimento médico deve ser uma forma de ajudar o profissional na tomada das decisões mais eficazes para os pacientes, visando a melhora da sua qualidade de vida.

Para isso, é importante evitar o uso da tecnologia, sobretudo as invasivas, quando a mesma não se mostrar minimamente eficaz anteriormente (em outros pacientes ou na literatura), visando o bem-estar do paciente.

Quais são as ferramentas que auxiliam a adotar a slow medicine?

A base da Medicina lenta é fazer as escolhas certas para cada momento. Para isso, foram criadas ferramentas de auxílio aos médicos e pacientes para encontrar com sabedoria e uso da razão as melhores abordagens terapêuticas ou procedimentos, segundo os perfis singulares de cada pessoa — e não na doença em si, como já foi mencionado.

Tal conceito ficou conhecido no mundo todo como Choosing Wisely. Que enfatiza que o médico deve se questionar, antes mesmo de optar por um determinado exame ou tratamento. No Brasil, a iniciativa Choosing Wisely é divulgada pelo canal Proqualis.

As cinco ponderações estão elencadas a seguir:

  1. O exame, tratamento ou procedimento X é de fato necessário?
  2. A quais vantagens, desvantagens e riscos o paciente será submetido?
  3. Há alternativas mais simples ou mais seguras para a pessoa?
  4. O que acontecerá se eu não fizer nada? — Não solicitar exames e não tratar, por exemplo.
  5. Quais custos serão envolvidos para a realização de exames possivelmente desnecessários?

Vale mencionar que tal conceito ganhou importância após uma pesquisa com médicos dos Estados Unidos que apontou que 59% deles realizam procedimentos apenas por pressão ou a pedido dos pacientes, e 84,7% deles indicam exames por receio de cometer más práticas ou processos no futuro.

Quais são as características do profissional de saúde slow?

As características esperadas para um médico “slow” foram traduzidas do italiano pelo professor Dario Birolini e estão listadas e explicadas a seguir!

Evidence based medicine

Trata-se da Medicina baseada em Evidências, pautada na integração de resultados das pesquisas clínicas, com sua experiência própria em tratamentos anteriores, com exigências e valores dos pacientes e familiares. Além disso, deve-se analisar benefícios, riscos e incertezas.

Postura ética com rigor

Isso é necessário, pois o paciente e as pessoas próximas a ele são o centro das opções de intervenções possíveis, com o objetivo de aumentar o bem-estar mental e físico, além da autonomia ao tomar as decisões mais adequadas.

Visão sistêmica da saúde

Esteja ciente de que a saúde precisa ser protegida no nível social, econômico, ecológico, sistêmico e, dessa forma, devem ser o foco principal de todas as políticas públicas.

Por estes motivos, é necessário fazer uma avaliação abrangente de todo o impacto causado pelas políticas públicas em relação à saúde de todos os cidadãos, visando a melhor qualidade de vida e evitando determinadas doenças.

Postura de educador

Seja um médico com capacidade de educar seus pacientes antes de ser um técnico competente. Dessa forma, o impacto nos aspectos de comunicação e de relacionamento durante o tratamento e as posturas que implicam a participação constante dos indivíduos na gestão da saúde serão muito mais positivos.

Estudo e pesquisa constantes

Além disso, se integre a outros profissionais de saúde, para explicar aos pacientes quais são os procedimentos comprovados, quais advêm da sua experiência e quais vieram das suas opiniões pessoais.

Humildade e aceitação das limitações

Seja capaz de aceitar que não tem conhecimento sobre determinada doença ou tratamento e, com isso, evite a adoção de posturas para se autopromover.

Autoconhecimento

Reflita sobre sua forma de ajudar seus pacientes perguntando-se:

  • Qual o campo de atuação que meu conhecimento abrange?
  • O que proponho funciona mesmo e garante a obtenção de resultados satisfatórios para a melhor qualidade de vida dos pacientes?
  • Quais são os efeitos colaterais que podem ocorrer?
  • Como posso avaliar a melhora obtida aos meus pacientes?
  • De que maneira as orientações propostas aos meus pacientes podem ser integradas de uma maneira útil e sustentável às outras orientações e aos outros tratamentos que os pacientes tiveram acesso?

Atenção redobrada

Manter-se constantemente atento propicia:

  • não manipular os pacientes ou usá-los para obter vantagens para si;
  • não usar a fragilidade visando criar dependência (para que o paciente passe em consultas desnecessárias);
  • não dar informações erradas ou incompletas;
  • não induzir os pacientes a acreditarem que apenas você tem o conhecimento “verdadeiro” e completo e não se esquecer dos seus limites.

Agora que você já conhece melhor sobre o assunto, é hora de praticar a slow medicine!

Esta é uma forma nova e muito mais humanizada de atender os seus pacientes, em que uma conversa sobre os sintomas pode ser mais proveitosa para o diagnóstico de uma doença do que uma batelada de exames.

Você também viu que muitas vezes utilizar a tecnologia (como os exames de imagem) em conjunto com a abordagem do movimento de Medicina lenta pode ser um grande auxiliar tanto para diagnosticar, quanto para tratar uma doença. Ou seja, o princípio da "Medicina integrativa" deve ser sempre utilizado. Por fim, não se esqueça de que a ponderação e a individualização devem sempre serem considerados.

Agora que você já conheceu os principais pontos da slow medicine, o convidamos para assinar nossa newsletter e receber mais artigos importantes como este em seu e-mail!

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