Confira as perspectivas de tratamento para a miopatia

A miopatia é uma condição genérica de afecções musculares, na qual as fibras do músculo esquelético são acometidas por disfunções de diversas causas. Por apresentar um amplo espectro clínico, para tratar a miopatia acertadamente é importante estabelecer uma anamnese minuciosa desde o início da investigação.

Essa patologia é classificada em quatro principais tipos, sendo que o tratamento e o prognóstico dependem dessa classificação. Você sabe a etiologia da miopatia? Conhece seus tipos e perspectivas de tratamento? Então, continue lendo este artigo para saber mais sobre o assunto.

Quais são os principais sintomas?

A miopatia tem como principal sintoma a fraqueza muscular. Atividades rotineiras dos indivíduos são frequentemente limitadas, pois os músculos proximais são os primeiros a serem acometidos. É comum os pacientes apresentarem dores musculares e hipotonia, assim como sensação constante de cansaço e fadiga. Em estágios mais avançados, o sistema cardiovascular pode sofrer complicações, resultando na cardiomiopatia hipertrófica ou dilatada.

Quais são os tipos de miopatia?

A miopatia é dividida em quatro tipos. São eles:

Miopatia congênita

É uma condição hereditária rara e que geralmente se manifesta no neonato por meio dos sintomas de hipotonia, hiporreflexia e fraqueza muscular generalizada. Esse tipo de miopatia não tem caráter degenerativo.

Distrofia muscular

Também é hereditária, mas desenvolve-se de maneira degenerativa. Antes de completar cinco anos, a criança já apresenta disfunções musculares significativas, o que leva rapidamente à limitação de movimentos. As principais formas desse tipo de miopatia são a de Duchenne e a de Becker.

Distrofia miotônica

A distrofia miotônica é também conhecida como Doença de Steinert. Nesse quadro, o músculo se contrai e permanece rígido por um tempo prolongado (miotonia). É do grupo das miopatias adquiridas, sendo transmitida de maneira autossômica dominante.

Miopatia inflamatória

Tem caráter autoimune e é adquirida ao longo da vida. As principais manifestações são a dermatomiosite e a polimiosite, sendo que a primeira pode apresentar lesões cutâneas.

Quais são as causas da miopatia?

A miopatia pode ser hereditária (se inicia em idades precoces e é de longa duração) ou adquirida (geralmente se manifesta subitamente e a partir de idades mais avançadas). Além disso, a doença pode ser causada por outros fatores, como infecções, inflamações, disfunções endócrinas e metabólicas, uso crônico de alguns medicamentos e etilismo. Em alguns casos, contudo, não é possível determinar a causa e a miopatia é classificada como idiopática.

Quais são as formas de diagnóstico da miopatia?

O exame físico e anamnese adequados têm papel fundamental no estabelecimento do diagnóstico. Por ser uma condição multifatorial, a história clínica deve ser investigada minuciosamente. Assim, o histórico familiar pregresso e o modo de desenvolvimento dos sinais e sintomas contribuem consideravelmente para a determinação do diagnóstico. Além de analisar esses aspectos, exames complementares também devem ser realizados. Dessa forma, é possível determinar o tipo de miopatia e definir o melhor tratamento a ser seguido.

Exames laboratoriais de dosagem sérica de enzimas musculares, como CPK, aldolase, LDH, ALT e AST podem evidenciar a presença de lesão muscular. Exames histopatológicos, neurofisiológicos (como a eletroneuromiografia) e de imagem (como a ressonância magnética) também podem ser efetivamente empregados no diagnóstico diferencial da miopatia.

Quais são as perspectivas de tratamento para a miopatia?

Como já abordamos neste post, o tratamento da miopatia vai depender da causa. Os objetivos desse tratamento, no entanto, serão aliviar os sintomas e diminuir a progressão da doença. Abaixo, estão as principais intervenções terapêuticas:

Terapia medicamentosa

Os corticosteroides são os medicamentos mais utilizados em diferentes tipos de miopatia. Eles são capazes de retardar o progresso da doença, diminuir a inflamação e otimizar a movimentação dos membros. Entretanto, o uso prolongado desses fármacos deve ser monitorado, pois pode causar efeitos adversos, como perda óssea, hipertensão e ganho de peso. Fármacos imunossupressores e imunobiológicos também podem ser utilizados como terapia medicamentosa. Considera-se adotar esses tratamentos de forma a evitar ou diminuir as reações adversas causadas pelo uso prolongado de corticosteroides.

Fisioterapia

A fisioterapia é recomendada em todos os tipos de miopatia. Exercícios de alongamento e fortalecimento aumentam a força muscular sem causar danos às fibras do tecido. As vantagens desse tratamento abrangem desde uma maior flexibilidade e diminuição do desenvolvimento de contraturas até um melhor controle da dor.A fisioterapia respiratória, por sua vez, pode ser implementada como um tratamento de suporte quando há comprometimento da capacidade vital em alguma fase de desenvolvimento da doença.

Massagens

Esse tipo de tratamento é utilizado como paliativo para amenizar as dores causadas pelas afecções e inflamação. Ademais, as massagens podem auxiliar no relaxamento de músculos excessivamente contraídos, como ocorre em alguns casos de miopatia.

Acupuntura

Muitos pacientes relatam que a acupuntura controla consideravelmente os quadros de dor causados pela miopatia. Porém, essa terapia é usualmente adotada como alternativa à terapia medicamentosa e à fisioterapia. Segundo o Conselho Britânico de Acupuntura, há poucas evidências científicas que comprovem a efetividade dessa prática no tratamento da miopatia. Isso pode acontecer devido à dificuldade de relacionar os sintomas e diferentes quadros clínicos aos possíveis resultados obtidos pela acupuntura.

Cirurgia

Contraturas, deformidades e escoliose são exemplos de situações clínicas em que a intervenção cirúrgica pode ser necessária. Esse procedimento é importante principalmente na miopatia congênita, na qual a fraqueza muscular e hipotonia contribuem para a redução da mobilidade articular e consequente deformidades articulares. A abordagem terapêutica deve acontecer o mais cedo possível com o objetivo de proporcionar a melhor propedêutica e resultados ao paciente. O objetivo principal é a recuperação e manutenção das fibras musculares, otimizando a amplitude de movimentos e dores crônicas.

Como se pode notar, o tratamento para miopatia é multidisciplinar. Ele depende da investigação detalhada de casos na família e análise de exames físicos, laboratoriais e histoquímicos. A partir desses dados é possível determinar o tipo de miopatia e a melhor conduta clínica a ser adotada. Assim, é importante também que o médico se aprofunde seus conhecimentos na área de neurologia muscular a fim de ter condições de realizar o diagnóstico adequado e oferecer o melhor tratamento ao paciente.

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