Comunicação não-violenta: como praticá-la no atendimento médico

A relação médico-paciente está ficando mais complexa a cada dia, exigindo respeito e conhecimento de comportamentos sociais por parte do profissional. Embora proporcione muitas oportunidades de aprendizagem, essa interação também apresenta desafios. Um deles é a adoção de uma comunicação não-violenta (CNV), fundamental para oferecer um atendimento acolhedor e de qualidade.

Isso porque é muito importante saber como atender pacientes, entendendo suas particularidades e suas necessidades. Mas esse entendimento não se limita ao quadro de doença apresentado. Ele deve abranger todo um contexto no qual a pessoa está inserida, que pode, inclusive, indicar eventuais causas de um determinado problema de saúde.

Quer se aprofundar no assunto? Então, continue a leitura para entender o conceito de comunicação não-violenta e seus princípios. Saiba também a importância da CNV no cotidiano profissional e como colocá-lo em prática com os seus pacientes. Confira!

O que é comunicação não-violenta?

A comunicação não-violenta (CNV) é um conceito desenvolvido pelo psicólogo norte-americano Marshall Rosenberg na década de 60. Ela se fundamenta na transmissão de mensagens de maneira pacífica, diminuindo possíveis interferências negativas. Seu principal objetivo é fortalecer as relações interpessoais, sem julgamentos, agressões, exaltação de voz ou ofensas.

Rosenberg desenvolveu esse modelo de comunicação visando amenizar o clima violento com o qual teve que conviver grande parte de sua vida. Mas os princípios nos quais ele se baseou funcionam para qualquer situação que envolva relacionamentos interpessoais.

Como esse tipo de comunicação funciona?

A comunicação não-violenta se fundamenta em quatro princípios que ocorrem em diferentes momentos de um diálogo. Eles envolvem importantes aspectos como: observação, sentimento, necessidade e pedido. A seguir, entenda melhor cada um deles.

Observação

O primeiro princípio se refere à observação imparcial, sem julgamentos e sem levar nenhum comentário para o lado pessoal. Aqui, é importante analisar se o que está ouvindo ou vendo pode dizer respeito ao estado do paciente.

Sentimento

É importante identificar e admitir os sentimentos aflorados após o primeiro contato. Isso inclui o tom de voz, a forma de se expressar, a linguagem corporal, entre outros aspectos. Eles se referem a fatores que podem desencadear as mais diferentes interpretações e sentimentos.

Necessidade

Quais são as necessidades relacionadas aos sentimentos? Quais delas não foram atendidas?

Pedido

Pedir em vez de “ordenar” é um dos fundamentos de uma comunicação empática e não-violenta.

Qual a importância da comunicação não-violenta na relação médico/paciente?

A comunicação não-violenta é essencial na vida pessoal e profissional das pessoas. Na relação médico-paciente, ela garante um bom relacionamento com quem está sendo cuidado. Dessa forma, é possível compreender os pacientes em suas necessidades, sem julgamentos ou preconceitos.

Esse tipo de comunicação promove maior conforto ao receptor da mensagem em um diálogo com o profissional de saúde. Isso porque, dependendo do assunto envolvido, o paciente pode precisar expor algo íntimo de sua vida. Nesse caso, se a conversa não for conduzida de maneira cuidadosa e gentil pelo profissional, pode haver um desconforto para externar uma determinada situação.

Quais são os benefícios de uma comunicação não-violenta no atendimento ao paciente?

Um dos principais benefícios da comunicação não-violenta é o estímulo a uma postura de empatia. Esse é um aspecto muito importante nas relações interpessoais, pois nos permite ver o mundo a partir dos olhos de outra pessoa.

A CNV promove um ambiente acolhedor, seguro e de troca, aumentando a probabilidade do paciente ter confiança em comentar sobre a sua vida e rotina. Isso fortalece o vínculo e melhora a adesão do paciente ao tratamento, criando um ciclo em que todos são beneficiados.

Como colocar a comunicação não-violenta em prática?

Com base nos princípios da comunicação não-violenta, a sua prática envolve desde uma escuta ativa até o modo como você faz solicitações ao paciente. A seguir, veja algumas dicas que podem ajudar nesse sentido.

Adote a escuta ativa

Saber ouvir é a base para qualquer tipo de diálogo. Assim, para praticar uma escuta ativa é muito importante manter uma postura de acolhimento e empatia. O paciente precisa sentir que você tem um real interesse naquilo que ele tem a dizer.

Se expresse com cuidado

É importante se expressar com cautela, adotando um tom de voz amigável e respeitoso, de quem realmente tem interesse em entender e resolver o problema apresentado pelo paciente.

Compreenda o que o paciente diz

Procure ouvir o paciente com atenção, colocando-se no lugar dele. Busque compreender os motivos para aquela condição de saúde considerando a vivência do paciente, e não a sua.

Proporcione um atendimento humanizado

Ofereça um atendimento humanizado usando a empatia para entender melhor o que aflige o paciente. Muitas vezes, um detalhe pode ser identificado como uma das causas do quadro de doença apresentado.

Isso se torna ainda mais especial no atendimento a transgêneros, que deve ser realizado com respeito, atenção e com os recursos adequados para essa parcela da população. Para se aprimorar nesse sentido, você pode:

  • fazer cursos voltados à área — busque se especializar em atendimento humanizado e atento a pacientes trans;
  • chamar pelo nome social pelo qual a pessoa se identifica — cuide para não chamar de senhora um paciente que se reconhece como homem;
  • estudar o universo LGBTQIAPN+ — faça pesquisas na internet para entender melhor o dia a dia desses pacientes;
  • proporcionar um ambiente acolhedor — tenha cartazes com informações sobre o assunto em sua sala de atendimento e domine o vocabulário que a comunidade adota.

Argumente com respeito

Por fim, adote uma argumentação positiva. Muitas vezes, o paciente pode ter um comportamento sabe-tudo ou impor condutas por trazer experiências negativas de outros atendimentos médicos.

Nesses casos, não é necessário impor nada, nem deixar claro que o médico é você. Em vez disso, mostre que ele pode confiar e que a relação entre vocês pode ser ótima. Além disso, procure fazer os pedidos com cautela, acolhimento e atenção.

Também é muito positivo justificar as atitudes necessárias para o tratamento. Dessa forma, o paciente consegue sair do consultório sabendo tudo o que precisa ser feito com base em conhecimento que você proporcionou a ele, de maneira clara e objetiva.

Busque o aperfeiçoamento profissional em cursos correlatos!

Como visto, a comunicação não-violenta é fundamental para garantir uma boa relação médico-paciente. Adotá-la em sua organização de consulta diária pode significar a diferença para obter bons resultados nos tratamentos de saúde. Assim, esperamos que este conteúdo ajude a entender melhor sobre a importância desse aspecto para um atendimento médico mais humanizado.

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