Pelo menos 28 milhões de pessoas têm familiares que sofrem com a dependência química no Brasil. Esse dado assustador foi levantado em uma pesquisa feita pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em 2013, e divulgada em uma reportagem do portal de notícias G1.
Dentro desse contexto, é cada vez mais comum a busca, voluntária ou compulsória, por tratamentos para essa doença, uma vez que ela prejudica não apenas a pessoa acometida, mas também todo o seu círculo familiar e de amizades.
A psiquiatria tem uma visão peculiar sobre a dependência química e entende que ela é uma patologia que pode ser desencadeada em consequência de diversos fatores — e é sobre isso que falaremos neste post.
Mas antes de chegar a este tópico, é importante que você entenda um pouco mais sobre o assunto, esclarecendo dúvidas que são comuns até mesmo para profissionais de saúde. Então, siga a leitura e fique bem informado sobre essa temática.
O que é a dependência química?
A dependência química é um transtorno que ocorre no organismo por conta do uso de drogas. Trata-se de uma doença que ocorre quando um usuário já não pode mais conviver sem determinadas substâncias, pois mente e corpo podem criar uma dependência delas para sobreviver.
Isso acontece, sobretudo, porque essas drogas liberam dopamina para o cérebro, no núcleo chamado de accumbens. A substância, então, gera prazer para o indivíduo, de modo que o usuário desenvolve a necessidade de utilizar essas drogas em seu cotidiano.
Ocorre, ainda, o chamado down regulation, que é a diminuição da neurotransmissão dopaminérgica nas pessoas que usam drogas quando não estão fazendo uso dessas substâncias. Assim, é necessário que doses cada vez maiores sejam tomadas para causar o mesmo efeito.
Quais são as principais drogas de dependência química?
Existem diversas substâncias que podem causar dependência química, mas algumas das principais em nossa sociedade ocidental são o álcool e o cigarro, além das drogas ilícitas, tais como a maconha, o crack, a cocaína, a heroína, entre muitas outras.
Obviamente, existem substâncias que são mais rapidamente nocivas para o organismo, mas qualquer tipo de droga pode causar a dependência em seus usuários. Essa teoria faz com que as pessoas que consumam bebidas alcoólicas ou que fumem também sejam vistas como dependentes químicas, sendo necessária a submissão a tratamentos para controlar o vício.
Também podem ser consideradas dependentes químicos os pacientes que têm dificuldades para cortar ou reduzir o uso de determinados tipos de medicamentos, como os ansiolíticos.
São comuns os casos de pessoas com problemas de depressão e outras patologias da mente que necessitam do uso de medicamentos por um período, mas que acabam com dificuldades de abandonar a medicação.
Como a psiquiatria enxerga a dependência química?
Até poucos anos, o senso comum via a dependência química como algo que acometia apenas pessoas que viviam às margens da sociedade. No entanto, a psiquiatria provou, por meio de estudos e observação, que qualquer pessoa pode desenvolver esse problema, independentemente de classe ou posição social.
Estudos de anatomia e fisiologia humana provaram que o cérebro humano possui uma área relacionada com as sensações de prazer. É ela que faz com que tenhamos uma sensação positiva ao comer um alimento, em sentir calor após permanecer muito tempo no frio, ao fazer sexo etc.
Essa área do cérebro, chamada de accumbens, no decorrer da evolução humana, fez com que nossos organismos desenvolvessem um sistema de recompensa. As drogas agem nesse sentido, ativando esse sistema e fazendo com que o usuário sinta-se bem ao utilizá-las.
Sendo assim, quando uma pessoa tem problemas psicológicos, como tendências depressivas, baixa autoestima, pouca confiança em si mesmo ou até mesmo problemas com familiares e a sociedade em que está inserida, pode encontrar no uso de drogas uma válvula de escape, algo que lhe faz sentir prazer.
O problema disso tudo é que as drogas pervertem o repertório de prazer, de modo que fazer sexo, comer, conversar, conviver com outras pessoas, ou qualquer outra fonte de felicidade, pode deixar de ser efetiva, fazendo com que o usuário precise usar substâncias ilícitas para se sentir bem e compensar esse “vazio”.
Para a psiquiatria, é importante ter o entendimento clínico do que causa a dependência química, para, conjuntamente a outras áreas da medicina e a profissionais da psicologia, seja possível oferecer um tratamento adequado e digno, visando reverter esse quadro nos usuários.
O tratamento de um dependente químico geralmente é feito por uma equipe multidisciplinar, na qual o psiquiatra tem um papel extremamente importante, pois pode buscar a origem do problema e compreender o que levou essa pessoa a entrar e permanecer no universo das drogas.

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