Pacientes diagnosticados com tumor cerebral em tratamento oncológico são impactados com uma série de outras de doenças e problemas secundários. Essas enfermidades concomitantes ao tumor devem ser acompanhadas de perto pela equipe médica responsável, que envolve um time de composto de neurocirurgião, neurologista, intensivista e clínico para gerenciar todas as múltiplas terapias envolvidas na melhora do paciente.
Neste texto vamos lembrar alguns desses problemas secundários e as opções terapêuticas que podem ser implementadas para garantir sobrevida e qualidade de vida ao paciente com tumor cerebral.
Crises convulsivas
As crises convulsivas estão presentes entre 30% e 70% dos pacientes com tumor cerebral, especialmente os tumores corticais, frequentemente associado aos episódios convulsivos. Já tumores profundos ou infratentoriais têm menor participação nesse processo, em geral. As crises ocorrem com maior frequência em pacientes com:
- Gliomas de baixo grau: 60-85%
- Gliomas de alto grau: 20-40%
- Metástases: 15-20%
A crise convulsiva é um sintoma relacionado a uma maior causa de morbidade associada aos tumores do sistema nervoso central. Estudos mostram que não há benefício no tratamento profilático com fenobarbital, fenitoína e ácido valproico em pacientes que não apresentam história de crise convulsiva pré-operatória. É importante lembrar que a fenitoína tem um valor profilático para crise convulsiva no pós-operatório recente de tumores supratentoriais.
Contudo, não se encontra evidência na literatura que justifique o seu uso a longo prazo. Assim sendo, os anticonvulsivantes devem ser descontinuados após 30 dias do pós-operatório. A exceção ocorre quando os pacientes com tumor cerebral sofrem uma convulsão com alto risco de recorrência, como pacientes com melanoma com múltiplas metástases hemorrágicas subcorticais.
Sistema CYP450
No momento da escolha do anticonvulsivante, deve-se dar preferência aos que não induzem o sistema da CYP450, já que alguns diminuem os níveis plasmáticos dos antineoplásicos. Os glicocorticóides, como a dexametasona, também induzem o sistema CYP450. Muitos agentes quimioterápicos usados comumente em pacientes com tumor cerebral, como cisplatina, carboplatina, carmustina e metotrexato, interagem com anticonvulsivantes, como a fenitoína, reduzindo sua biodisponibilidade.
Edema cerebral
Pacientes com edema vasogênico associado ao tumor podem fazer uso do corticóide dexametasona, que apresenta baixo efeito mineralocorticoide e tem uma meia vida longa. Contudo, é preciso ter atenção à dependência ao medicamento, que pode causar fadiga, mal-estar e dor articular, entre outros sintomas que sugerem insuficiência adrenal.
É comum que pacientes fiquem dependentes, o que resulta em fadiga, mal-estar e dor articular, entre outros sintomas que sugerem insuficiência adrenal. Aqueles que fizerem uso por mais de 30 dias devem receber profilaxia contra pneumonia por Pneumocystis jiroveci com sulfametoxazol e trimetoprim. Essa profilaxia deve ser realizada durante o uso do corticoide e por 30 dias após a interrupção da terapia com esteróides.

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