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Colesterol alto: tratamentos e prevenção

12/8/2020
10
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por:
equipe afya educacao médica
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Nesse texto a Dra. Marildes Luiza de Castro, coordenadora da pós em Cardiologia da Afya Educação Médica, ex-IPEMED fala sobre os tratamentos e prevenção do colesterol alto.

No Brasil, as doenças cardiovasculares são as que mais matam. Durante a pandemia de COVID-19, por exemplo, foi registrado um aumento de 31% em mortes inespecíficas em casa de doença cardiovascular no Brasil. Apenas as mortes por paradas cardíacas inespecíficas tiveram um aumento de 90% de março a junho de 2020, comparado com o mesmo período de 2019.

Esses dados mostram a importância das doenças cardiovasculares e como a orientação e prevenção podem ser importantes para diminuir mortalidade e aumentar a sobrevida. O colesterol alto é um dos fatores de risco para doença cardiovascular. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o problema atinge um a cada quatro brasileiros.

Ou seja, 40% da população. Dessa forma, é uma condição que deve ser abordada em um atendimento cardiológico e, claro, bem controlado para diminuir sua mortalidade.

Por conta disso, conversamos com a Dra. Marildes  Luiza de Castro, cardiologista, professora e coordenadora da pós-graduação em cardiologia da IPEMED, para entender mais sobre o colesterol, a importância do controle, conscientização e como tratar seus pacientes. Confira a seguir.

O que é o colesterol

O colesterol é um lipídio que tem funções importantes no nosso corpo, como a produção de alguns hormônios, como testosterona, estrógeno, vitamina D, cortisol e ácidos biliares. Ele é produzido no fígado, transportado no sangue por lipoproteínas que sofrem um processo que o libera. Nesse processo, o perigo relacionado ao colesterol está quando ele sobra na corrente sanguínea, ou seja, está com índices altos.

Nessa situação, ele pode se depositar na parede do vaso e fazer com que apareça uma placa de aterosclerose, que provoca o entupimento do vaso. A Dra. Marildes  Luiza de Castro destaca que a placa se forma nas artérias, que levam o sangue com oxigênio e nutrientes às células. As veias são isentas desse processo. A parede da artéria é mais espessa, tem mais camadas, é mais musculosa e elástica.

E é nela que se deposita o colesterol que está sobrando, o que forma a placa de ateroma, conhecida como aterosclerose. Essa "sobra" é a alfa lipoproteína D, que contém o chamado Low Density Lipoproteins, ou LDL, conhecido popularmente como colesterol ruim.

Este colesterol ruim é o que vai se depositar na parede do vaso. Existe, também, o colesterol bom, High Density Lipoproteins, ou HDL. Sua baixa densidade permite que ele penetre, dependendo do tamanho (normalmente menor que 70 nano) na parede do vaso por ser pouco densa. O HDL ajuda a "varrer" essa proteína de baixa densidade para o fígado para que seja eliminado no intestino.

Dessa forma, o colesterol total, referido como “colesterol alto” é a soma dessas proteínas: HDL + LDL com o Very Low Density Lipoproteins, VLDL, que é de onde vem o triglicérides. Mas quando o paciente tem um índice alto nessa soma, o problema está, habitualmente, relacionado com o LDL.

Problemas causados pelo colesterol alto

O LDL é apontado como o grande vilão dessa equação por ser o responsável por se depositar na parede da artéria e obstruí-la, causando a  aterosclerose. E isso pode acontecer não só na artéria do coração mas, também do cérebro ou qualquer outra.

A do coração, porém, é a mais acometida e que leva a mais complicação, como o infarto. No cérebro, a consequência pode ser um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Membros inferiores também são territórios acometidos pela aterosclerose. Além do colesterol alto, hipertensão não controlada, diabetes, sedentarismo e tabagismo também podem acelerar a aterosclerose.

O colesterol, no entanto, é um dos principais fatores de risco para esse entupimento. A Dra. Marildes Luiza de Castro destaca que, atualmente, as pessoas estão acostumadas com os números que indicam um colesterol alto, como 250, por exemplo. Mas, na hora do tratamento, é preciso ir muito além do tratamento do número.

Pois, de acordo com ela, o colesterol alto não causa nenhum sintoma, por isso é conhecida como uma doença silenciosa. Dessa forma, o diagnóstico deve ser feito por meio da dosagem no exame de sangue, pois ele começa a dar sintomas apenas quando entope um vaso, o que causa falha na irrigação.

Ou seja, o entupimento não permite a passagem do sangue de forma adequada e, apenas aí, o paciente sente alguma coisa. O problema é que buscar tratamento apenas nesse momento pode ser perigoso. Um vaso com até 50% de entupimento representa um quadro leve. Com mais de 50% de entupimento, a lesão é considerada importante.

Acima de 70% é grave e, apenas nesse índice, os sintomas podem ser sentidos. No homem, o sintoma é a angina, ou seja, dor no peito. Já em mulheres o sintoma pode não ser apenas a dor do peito; queixas sutis como cansaço, falta de ar ou dor no estômago seriam manifestações de isquemia miocárdica, ou seja, de um entupimento de coronária.

Tratamentos para o colesterol alto

O tratamento medicamentoso é realizado com uma classe de medicamentos que se chama estatina. Segundo a Dra. Marildes Luiza de Castro, esta é uma medicação que revolucionou o tratamento do colesterol alto quando foi lançada, em 1984.

A estatina tem efeito anti-inflamatório que estabiliza o endotélio, que é a camada interna dos vasos, impedindo que ele adoeça e que, dessa forma, não libere substâncias que contribuem para o crescimento de placa aterosclerótica. Estudos mostram que a mortalidade em pessoas que não fazem o tratamento medicamentoso é maior do que naquelas que tomam, pois a medicação diminui os eventos cardiovasculares.

Dessa forma, a estatina deve ser tomada pelo paciente todos os dias. Ela, no entanto, pode ter como efeito secundário dor muscular, mesmo que não seja muito comum. Por conta desse risco, é importante monitorar desde o início. Em casos graves, com alto índice de entupimento dos vasos, o médico deve intervir, seja com angioplastia, stent ou ponte de safena.  

O AAS é outro medicamento adjuvante no tratamento do paciente com colesterol alto. A medição precisa ser mantida também em pacientes que já realizaram procedimentos, como ponte de safena, angioplastia com implante de stent, para que o colesterol não volte a subir e a placa volte a crescer “entupindo” novamente o vaso, aumentando o risco de formação de trombo com oclusão total do vaso.

O papel do cardiologista na prevenção

Uma das diretrizes de prevenção do colesterol alto está na avaliação do histórico familiar. Em pacientes com familiares que possuem a condição, o acompanhamento com medição de exames regulares é essencial.

O cardiologista, entretanto, deve avaliar o paciente como um todo. Além do índice de colesterol deve avaliar pressão arterial, glicose, adiposidade abdominal que, a partir de um determinado valor, pode predispor a complicação cardiovascular no futuro. O trabalho de orientação também é essencial.

Se o paciente fuma, deve ser orientado a parar de fumar; se é sedentário, deve ser orientado a praticar atividade física; se não tem alimentação saudável, deve ser orientado a incluir frutas, legumes, verduras e grãos no cardápios todos os dias. A dieta Dietary Approaches to Stop Hypertension (DASH) é ideal para prevenir doença cardiovascular, assim como a dieta do mediterrâneo.

O paciente também deve ser orientado a consumir menos carnes vermelhas e mais peixes. Ou seja, adotar estilo de vida saudável com baixa ingestão de gorduras, atividade física REGULAR, conhecer seus números (colesterol, glicose, diâmetro abdominal, pressão arterial) e mantê-los dentro dos parâmetros normais.

Em casos graves, com alto índice de entupimento dos vasos, o médico deve intervir, seja com angioplastia, stent ou ponte de safena.

Lipoproteínas
Formação da placa de ateroma na parede de uma artéria
Fonte: V Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose

Texto baseado na entrevista com a Profa Dra. Marildes Luiza de Castro
Coordenadora e professora da pós-graduação em Cardiologia da IPEMED

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