CID-11: guia das principais mudanças na codificação médica

6/7/2026
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Atualize os prontuários com as modificações da CID-11 da OMS, a inclusão do burnout como fenômeno ocupacional e novos códigos de transtornos mentais.

A CID-11 trouxe mudanças como a inclusão do burnout, a reclassificação do TEA em um único diagnóstico, a mudança da transexualidade para o campo da saúde sexual, a atualização dos códigos de resistência antimicrobiana e a criação de uma estrutura mais moderna para uso digital. 

O que é a CID?

A sigla CID significa Classificação Internacional de Doenças e é traduzida do original na língua inglesa ICD, iniciais de International Classification of Diseases. Na prática, essa tabela é publicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e tem como objetivo principal a padronização das doenças e de outros problemas de saúde.

Atualmente, a CID é uma das principais ferramentas epidemiológicas no cotidiano da carreira dos médicos de todo o planeta, inclusive no Brasil. Entre outras funções, a CID também monitora a incidência e a prevalência das enfermidades, apresentando um panorama extenso da realidade de muitos países e de suas populações.

O que é a CID-11?

A CID-11 é a 11ª revisão da Classificação Internacional de Doenças, criada pela Organização Mundial da Saúde para padronizar diagnósticos e condições de saúde em todo o mundo. Ela atualiza a forma como doenças, transtornos e outros problemas de saúde são organizados e codificados.

A CID-11 entrou em vigor oficialmente em 1º de janeiro de 2022. No Brasil, sua implementação está sendo realizada de forma gradual, com adaptação dos sistemas de informação em saúde e capacitação dos profissionais para a nova codificação.

Por que a CID-10 foi substituída pela CID-11?

Atualizações são fundamentais nessa classificação, uma vez que a CID-10 foi lançada no início da década de 1990. A tabela precisa compreender as afecções comuns na população, junto a todas as suas especificações, sinais e sintomas, refletindo a realidade atual da área de saúde.

A CID-11 precisa, portanto, refletir os avanços da tecnologia e da própria medicina ocorridos desde então. Segundo a OMS, a estrutura de codificação e as ferramentas eletrônicas foram simplificadas, o que possibilita que os profissionais registrem os prontuários de maneira mais simples, tendo uma rotina mais eficiente.

Quais são as principais mudanças na CID-11?

A seguir, conheça as alterações mais relevantes trazidas pela nova classificação.

Gaming disorder: distúrbio por uso de jogos eletrônicos

No início dos anos 1990, quando foi elaborada a CID-10, o universo dos jogos virtuais ainda era muito incipiente, sobretudo se compararmos com o momento atual, quando boa parte dos adolescentes conta com computadores pessoais, tablets, smartphones e outros dispositivos modernos.

É exatamente por esse motivo que, entre as principais novidades, está a inclusão do gaming disorder ou, em tradução livre, o distúrbio em jogos eletrônicos. 

A OMS definiu essa patologia como um "padrão de comportamento persistente ou recorrente", com gravidade suficiente para comprometer as áreas de funcionamento pessoal e social.

Resistência antimicrobiana

O uso descontrolado de antibióticos já vem chamando a atenção de cientistas e profissionais de saúde em todo o mundo há muito tempo. No entanto, pesquisas, estudos e a própria realidade dos hospitais ao redor do planeta vêm mostrando que esse problema pode ser ainda mais sério do que se pensava.

Muitos micro-organismos estão ficando resistentes e não respondem mais aos tratamentos, inclusive com drogas que foram consideradas muito eficientes há alguns anos. 

Diante desse contexto, a OMS resolveu alinhar melhor os códigos relativos à resistência antimicrobiana, possibilitando mapear melhor o problema ao redor do mundo.

Síndrome de burnout na CID-11

A síndrome de burnout é outra condição enquadrada na CID-11 e tem forte relação com o estilo de vida moderno. Ela faz parte de um capítulo específico da classificação internacional, que diz respeito aos problemas gerados e associados ao emprego ou desemprego.

Essa enfermidade está propositalmente fora do capítulo que trata dos transtornos mentais, comportamentais ou do neurodesenvolvimento, uma vez que, para a OMS, trata-se de uma síndrome conceituada como resultado do estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado de forma adequada.

Caracterizam essa patologia o sentimento de falta de energia, o aumento da distância mental do trabalho, o negativismo relacionado às atividades profissionais e a redução da eficiência profissional. Vale lembrar que o burnout refere-se apenas a fenômenos no contexto ocupacional e não deve ser aplicado a outras áreas da vida.

Transexualidade: reclassificação para saúde sexual

Outra mudança muito significativa em relação à CID-10 diz respeito à transexualidade, que deixou de figurar na lista de doenças mentais e foi reclassificada como "incongruência de gênero", em vez de "distúrbio de identidade de gênero". Com isso, ela foi transferida para a categoria de saúde sexual.

De acordo com a OMS, isso aconteceu porque os cientistas e médicos possuem evidências suficientes de que a transexualidade não é um distúrbio mental e que essa classificação anterior poderia gerar estigmatização para os indivíduos que se identificam como transgêneros.

As evidências disponíveis foram revisadas e debatidas por um grupo consultivo externo e com o feedback da comunidade profissional, fundamentando a base para essa decisão. A alteração também tem o intuito de garantir o acesso a intervenções como cirurgias e terapias, que no Brasil são cobertas pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Autismo: unificação no diagnóstico de TEA

A CID-11 reuniu todos os transtornos que fazem parte do espectro do autismo, como o autismo infantil, a Síndrome de Rett, a Síndrome de Asperger, o transtorno desintegrativo da infância e o transtorno com hipercinesia, em apenas um único diagnóstico: o TEA (Transtorno do Espectro do Autismo).

Com isso, as subdivisões passam a ser relacionadas exclusivamente com algum prejuízo da linguagem funcional ou deficiência intelectual. Segundo a OMS, a intenção por trás dessa alteração é facilitar o diagnóstico, evitar erros e simplificar a codificação, promovendo melhor acesso aos serviços de saúde.

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FAQ

O que mudou na classificação da síndrome de burnout na CID-11?

Na CID-11, o burnout passou a ter código próprio e foi incluído no capítulo sobre problemas relacionados ao emprego ou desemprego. Ele continua fora do capítulo de transtornos mentais e é definido como resultado do estresse crônico no trabalho não gerenciado adequadamente.

Quais foram as grandes mudanças estruturais na CID-11 em relação à CID-10?

A CID-11 foi atualizada para o ambiente digital, ganhou novos capítulos e ampliou a quantidade de códigos. Também unificou diagnósticos, como no caso do autismo, e incluiu condições como o gaming disorder.

Como ficou a codificação e classificação do transtorno do espectro autista (TEA) na CID-11?

O TEA passou a ser classificado sob o código 6A02, substituindo os vários códigos usados na CID-10. A subdivisão agora leva em conta deficiência intelectual e linguagem funcional.

A partir de quando a CID-11 passou a ser obrigatória nos prontuários médicos no Brasil?

A adoção da CID-11 no Brasil está prevista para janeiro de 2027, após período de adaptação dos sistemas e capacitação dos profissionais. Até lá, a CID-10 ainda segue em uso.

Como a CID-11 aborda as novas condições relacionadas à saúde sexual e identidade de gênero?

A CID-11 criou um capítulo de saúde sexual e retirou a transexualidade do grupo de transtornos mentais. O termo passou a ser incongruência de gênero, com foco em reduzir estigma e facilitar o acesso ao cuidado.

Quais foram os novos capítulos adicionados à estrutura da classificação internacional de doenças?

Os destaques são o capítulo de saúde sexual e o capítulo suplementar de medicina tradicional. A CID-11 também passou a usar extensões para detalhar diagnósticos de forma mais flexível.

De que forma a CID-11 foi otimizada para o uso em prontuários eletrônicos e ferramentas digitais?

A CID-11 foi criada para funcionar no ambiente digital, com busca online e integração com sistemas eletrônicos. Isso facilita a codificação e a atualização dos registros clínicos.

O acidente vascular cerebral (AVC) mudou de categoria na nova classificação?

Sim. O AVC saiu do capítulo de doenças circulatórias e passou para o grupo de doenças neurológicas. Isso reflete uma classificação mais alinhada ao entendimento atual da condição.

Como a medicina tradicional de matriz chinesa foi integrada nos novos códigos da OMS?

A CID-11 incluiu um capítulo suplementar para condições da medicina tradicional, com forte presença da medicina tradicional chinesa. Isso permite registrar esses diagnósticos de forma padronizada.

Onde os profissionais médicos podem realizar o treinamento oficial para transição de códigos da CID-11?

O treinamento e os materiais oficiais estão disponíveis no portal da OMS sobre a CID-11. No Brasil, o Ministério da Saúde também vem organizando a capacitação para a transição.

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