Esse conteúdo é exclusivo para nossos alunos cadastrados.

Este artigo é totalmente e gratuito, porém apenas para usuários não anonimos que se cadastraram na central de conteúdo!

Primeiro acesso? Clique aqui.
Thank you! Your submission has been received!
Oops! Something went wrong while submitting the form.

Caso clínico: Paciente com linfadenopatia e linfócitos atípicos no sangue periférico. Qual o diagnóstico?

13/6/2022
10
Minutos de leitura
por:
equipe afya educacao médica
Compartilhar
Copy to Clipboard.
Compartilhar url

Paciente com linfadenopatia e linfócitos atípicos no sangue periférico. Qual o diagnóstico? Descubra em nosso blog.

Paciente do sexo masculino, 38 anos, 80 quilos, comparece ao consultório com quadro de linfoadenomegalias associada a distensão abdominal, febre baixa persistente (37,8º a 38,3ºC) geralmente vespertina e perda de peso (aproximadamente sete quilos) no período de um mês (quatro semanas).

Quando questionado, refere dispneia aos moderados esforços, adinamia intensa e sudorese noturna. Solicitado então tomografia computadorizada de tórax e abdômen, que evidenciou massa de caráter expansivo em mediastino com compressão extrínseca de brônquios-fonte bilateralmente medindo oito centímetros em seu maior diâmetro.

Além disso, são descritas linfonodomegalias difusas, de caráter confluente, acometendo cadeias axilares, mediastinais, para-aórticas, retroperitoneais e esplenomegalia.  

Hemograma evidencia: Hb 7,6g/dL ; Global de Leucócitos 45.600/mm³ às custas de linfócitos (típicos: 60% e atípicos 10%); Cálcio sérico 11,7 mg/dL (VR: 8,3 – 10,6mg/dL); LDH: 1450 U/L. À microscopia de sangue periférico foram observadas as seguintes células:

Qual o provável diagnóstico baseado na história clínica e a qual etiologia infecciosa esta doença pode estar associada?

  1. Leucemia / Linfoma de células T do Adulto e HTLV I
  2. Linfoma de Burkkit e Epstein-Bar
  3. Linfoma de Hodgkin e Epstein-Barr
  4. Leucemia Linfoblástica Aguda e Hepatite C

Resposta: a) Leucemia / Linfoma de células T do Adulto e HTLV I
 

Na imagem, podemos ver os linfócitos característicos da Leucemia / Linfoma de Células T do Adulto que podem ser encontrados circulando no sangue periférico. Eles têm um núcleo que se assemelha a uma “flor” e por tanto são chamados de “flower-cell” na literatura.  

O diagnóstico é confirmado através de biópsia e Imunohistoquímica de um dos linfonodos acometidos.  

Uma dica importante:

pacientes com síndrome consumptiva associados a outros sintomas B e massa mediastinal devem ser investigados para doenças linfoproliferativas, em especial os Linfomas Não-Hodgkin T. Essa doença é também conhecida pela sigla ATLL e é uma neoplasia de células T maduras CD4+ e CD25+ que tem origem a partir de uma proliferação clonal de linfócitos pós-tímicos e está etiologicamente ligada ao vírus linfotrópico de células T humanas, o HTLV-I, sendo mais comumente encontrado em partes do Japão, Caribe, América Central e América do Sul.  

A investigação sorológica para o retrovírus acima mencionado deve ser feita à suspeita diagnóstica. Trata-se de um dos Linfomas Não-Hodgkin de pior prognóstico. As manifestações clínicas diferem e classificam a enfermidade em 04 fenótipos clínicos distintos: aguda, crônica, “smoldering” e linfomatosa, sendo a aguda e a linfomatosa aquelas de apresentação mais agressiva.

Organomegalia, rash cutâneo e hipercalcemia podem estar presentes. O diagnóstico diferencial de ATLL inclui outras neoplasias de células T maduras e células B, como leucemia prolinfocítica de células T (T-PLL), síndrome de Sézary (SS), linfomas de células T periféricos, doença de Hodgkin ou Linfoma de Burkitt.

A sobrevida média em estudos clínicos que avaliaram resposta à esquemas quimioterápicos altamente intensivos variou de 8.3 a 10.6 meses, sendo o transplante alogênico de medula óssea (TMO alogênico) a única quimioterapia curativa e que deve ser avaliada após primeira remissão em pacientes jovens elegíveis ao procedimento.  

A associação de interferon-alfa e zidovudina nos quadros graves possibilitou maior taxa de resposta completa global em estudos dos grupos japoneses, porém com resultados divergentes entre grupos de pesquisa norte americanos. Novos ensaios clínicos com a associação de raltegravir e bortezomib tem apresentado boas taxas de resposta completa.

Referências bibliográficas:  

Neha Mehta-Shah, Lee Ratner, Steven M. Horwitz; Adult T-Cell Leukemia/Lymphoma; Journal of Oncology Practice 2017. 13:8, 487-492. DOI: 10.1200/JOP.2017.021907.

 

Autor(a):

Felipe Mesquita

Médico pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) ⦁ Residência em Clínica Médica e Hematologia pela UFMG ⦁ Título de Especialista em Hematologia e Hemoterapia pela Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH) ⦁ Membro da equipe de Transplante de Medula Óssea do Hospital Monte Sinai - Juiz de Fora(MG).

Gostou desse conteúdo? O PEBMED é o maior portal de atualização em Medicina no Brasil. Inscreva-se no site sem pagar nada por isso e receba tudo em primeira mão, na sua caixa de e-mail.

Artigo por:

X

Olá, Futuro Especialista!👋

Venha bater um papo comigo no whatsapp e conheça as vantagens exclusivas que preparei para você.

Obrigado!
Em breve nossa equipe entrará em contato com você.
Oops! Algo deu errado ao enviar o formulário.
Fale com um consultor
Obrigado!
Em breve nossa equipe entrará em contato com você.
Oops! Algo deu errado ao enviar o formulário.
Fale com um consultor

X

Olá, Futuro Especialista!👋

Venha bater um papo comigo no whatsapp e conheça as vantagens exclusivas que preparei para você.