Asma: por que a doença deve ser considerada grave?

A asma é uma doença inflamatória crônica, que atinge os pulmões, provocando o estreitamento dos brônquios, o que dificulta a passagem de ar. É por essa razão que há quem se refira à doença como bronquite asmática. Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), o problema é um dos mais comuns entre as doenças crônicas e afeta tanto crianças quanto adultos, vitimando cerca de 300 milhões de pessoas no mundo e levando a cerca de 350 mil internações, por ano, apenas no Brasil. Isso faz com que a doença seja a terceira principal causa de hospitalizações pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Sendo assim, compreender a gravidade do problema, bem como a necessidade do diagnóstico correto e sensibilização do paciente para acompanhamento contínuo é fundamental. É sobre isso, portanto, que trataremos neste artigo. Continue a leitura!

Por que a asma é uma doença preocupante?

A SBPT alerta para o fato de que a asma é uma doença bastante variável. E isso não só de indivíduo para indivíduo, mas também no tipo de manifestação em uma mesma pessoa. Isso porque, a depender do período, a asma pode piorar muito, fazendo com que o portador da doença tenha que recorrer a serviços de emergência e, até mesmo, ser hospitalizado. Mesmo em casa, as crises podem variar, manifestando-se de maneira mais leve ou intensa a depender da situação. Todo esse quadro implica na necessidade de atenção contínua, acompanhamento e orientação do paciente a fim de evitar desfechos negativos.

Além disso, há também um grau da doença que pelas próprias características já é classificado como asma grave. Nessas situações, a SBPT, no documento Recomendações para o manejo da asma grave da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia 2021, destaca que “a identificação desses casos requer seguimento por especialista, preferencialmente em um centro de referência”.

Em adição à recomendação de buscar tratamento referencial, é fundamental que o paciente faça a adesão correta e contínua ao tratamento, uso correto dos inaladores, promova mudanças efetivas no estilo de vida e, ainda, mantenha o controle esperado de comorbidades. Só assim as chances de um desfecho negativo podem ser controladas.



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Diagnóstico da asma: como ele é feito?

Em geral, o primeiro contato com o paciente com asma é feito porque ele mesmo busca o serviço de saúde em situações de crise. Sendo assim, além de observar os sinais e sintomas, caberá ao profissional de saúde entrevistar o paciente sobre falta de ar, chiado no peito, cansaço, tosse, muco, execução de tarefas rotineiras e níveis de cansaço, prática de atividade física e mais.

Além disso, é importante observar queixas de piora do quadro nos períodos da manhã e madrugada, fazendo com que o paciente acorde, inclusive. A partir da anamnese, para confirmação do diagnóstico, é necessário encaminhar o paciente para realização de uma espirometria (prova de função pulmonar).

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A doença se manifesta de modo diferente em homens e mulheres?

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e publicado pelo Jornal Brasileiro de Pneumonologia teve como um dos objetivos avaliar a qualidade de vida de pacientes tratados nos serviços de referência da região e identificar diferenças entre homens e mulheres no que se refere ao controle da asma, função pulmonar e estado nutricional. 

Entre março e dezembro de 2013, 344 pacientes foram avaliados, mas, no final da amostra, 198 pacientes seguiram no estudo. Além de outros resultados, o estudo demonstrou que a qualidade de vida de pacientes com asma foi menor nas mulheres do que nos homens nos quatro domínios de sintomas do AQLQ (Asthma Quality of Life Questionare), que incluem: sintomas, limitação das atividades, função emocional e estímulos ambientais. As mulheres também tiveram maior proporção de asma não controlada quando comparada aos homens, com 63% contra 44,4%.

Recentemente, um relatório publicado pela instituição de caridade Asthma + Lung Uk revelou que as taxas de internações no País de Gales por asma são praticamente as mesmas entre homens e mulheres na adolescência. Contudo, quando chega a fase adulta, principalmente entre 20 e 49 anos, as internações de mulheres tendem a ser três vezes maiores quando comparadas às de homens.

Os responsáveis pelo estudo ressaltam, no entanto, que faltam pesquisas que possam esclarecer as razões disso. Mas que a informação em si já deve ser utilizada como um norteador do tratamento de asma entre pessoas do gênero feminino, evitando que elas passem por internações frequentes e tenham perda da qualidade de vida cada vez mais significativa.

Recomendações para evitar a asma!

A doença é conhecida também por seus gatilhos. Portanto, é importante orientar os pacientes quanto a alguns cuidados, como:

  • Manter a limpeza dos ambientes, evitando pó, pelos e tecidos que possam provocar reações alérgicas;
  • Fazer a limpeza diária com uso de aspirador e pano úmido para evitar a suspensão do pó;
  • Evitar o uso de tapetes, carpetes, cortinas almofadas e outros itens que facilitem o acúmulo de pó;
  • Manter colchões e travesseiros com capas protetoras feitas de tecidos antialérgicos;
  • Evitar a presença de animais domésticos dentro de casa.

Sabia que o alergologista também pode ter importante papel no acompanhamento da asma?

Isso mesmo. Além do pneumologista, o alergologista pode apoiar o paciente na prevenção do contato com os agentes desencadeantes das crises de asma entre outros fatores de tratamento que visam a busca de mais qualidade de vida. Se você tem interesse na área, e quer saber mais, conheça nosso curso de pós-graduação em Alergologia. 


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