O cuidado à saúde tem apresentado cada vez mais um caráter humanizado e centrado no ser humano, em vez do enfoque somente no desenvolvimento de doenças. Nesse sentido, a experiência proporcionada em cada atendimento influencia diretamente o contentamento dessas pessoas. Além disso, a aderência ao tratamento e os resultados clínicos são muito mais significativos quando elas estão confiantes em relação ao profissional e, sobretudo, satisfeitas com a conduta adotada.
Nesse contexto, o jaleco médico é uma vestimenta que tem a capacidade de afetar as percepções objetivas e subjetivas dos pacientes. Dois estudos sobre o tema foram desenvolvidos recentemente e os dados obtidos são bastante interessantes. Confira!
História do jaleco médico
O jaleco médico começou a ser utilizado no final da Idade Média como forma de proteção contra a peste. Curiosamente, nessa época as cores escuras predominavam, pois se acreditava que quanto mais suja de sangue a vestimenta estivesse, mais pacientes o médico havia atendido e, consequentemente, mais respeitado ele era.
A cor branca surgiu então no final do século XIX, devido à necessidade de assepsia em procedimentos cirúrgicos e a descoberta da possibilidade de proliferação de doenças por meio dos tecidos de roupa contaminados. Hoje ele é considerado também como uma identificação e, desde 1978, o Ministério do Trabalho regulamentou o jaleco como EPI (Equipamento de Proteção Individual), considerando-o um produto destinado à proteção dos riscos ameaçadores à saúde do trabalhador.
O British Medical Journal e o Journal of the American Medical Association (JAMA Dermatology) publicaram dois estudos sobre o impacto do jaleco médico na relação com os pacientes e vamos abordá-los nos próximos tópicos. Acompanhe!
British Medical Journal
Essa pesquisa foi desenvolvida em 10 hospitais acadêmicos dos Estados Unidos e obteve uma amostra de 4.062 pacientes que foram recrutados entre os meses de junho a outubro no ano de 2016.O principal instrumento do estudo foi um questionário com 22 perguntas que incluiu fotos de uma mulher e um homem vestindo o jaleco médico de 7 maneiras diferentes. A preferência pelas fotos foi então calculada de acordo com a percepção de aspectos primários e secundários em diferentes situações clínicas. Veja a seguir as diferentes maneiras da vestimenta analisadas:
- traje casual (calça jeans e camiseta);
- casual com jaleco;
- pijama cirúrgico (scrub);
- pijama cirúrgico com jaleco;
- formal (roupas de caráter social);
- formal com jaleco;
- terno e gravata.
Aspectos primários
A percepção dos aspectos primários pelos pacientes se baseou na combinação de 5 atribuições que poderiam (ou não) serem transmitidas pelas fotografias: conhecimento, confiabilidade, cuidado, acessibilidade e conforto.
Aspectos secundários
Já os aspectos secundários consideraram as variações de preferências de acordo com algumas circunstâncias, como o gênero do profissional, o contexto do cuidado à saúde em que o paciente estava inserido e a região geográfica.
Resultados
Os resultados obtidos demonstraram que 53% dos pacientes consideraram o jaleco médico importante durante o atendimento e mais de um terço dessas pessoas disse que esse vestuário influenciou diretamente em seu nível de satisfação diante do serviço prestado. Entre os 7 tipos de combinação apresentados, a associação de roupas formais com o jaleco médico foi a preferida e em segundo lugar o traje “pijama cirúrgico + jaleco”. Como mencionamos, as preferências são influenciadas pelo contexto e outras características inerentes aos profissionais e pacientes.

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