7 manifestações cutâneas que todo médico deve conhecer

As afecções ou manifestações cutâneas estão entre as queixas mais comuns que um médico recebe, tanto em consultórios privados quanto na medicina ambulatorial da rede pública. Diante dessa realidade e da grande variedade de diagnósticos possíveis, existem algumas manifestações cutâneas que todo médico deve conhecer. O fato é que valorizar a história pregressa e ter um bom olho para identificar as sutis diferenças de cada afecção é essencial, assim como saber quais são as doenças que mais se manifestam no público em geral. Confira o conteúdo a seguir e aprenda um pouco mais sobre esse tema!

1. Dermatite atópica

Também chamada de eczema atópico, a dermatite atópica é uma patologia com curso crônico, que causa a inflamação da pele, resultando em áreas de lesão avermelhadas, pruriginosas e que podem ou não descamar. Em linhas gerais, é um problema que costuma acometer indivíduos com histórico de alergias, embora isso não seja imperativo. Costuma ser mais comum em crianças, podendo desaparecer com a idade. Há uma maior incidência de casos nos centros urbanos. Os fatores que desencadeiam as crises variam de paciente para paciente.

O tratamento consiste em minimizar o contato com o agente causador, mas também são empregados medicamentos para reduzir a coceira, o edema e a vermelhidão, como os corticoides — a exemplo da betametasona e da dexametasona — e os anti-histamínicos como a loratadina e a difenidramina, A fototerapia com raios ultravioletas também pode ser uma alternativa e é utilizada somente em casos mais graves.

2. Lúpus

O lúpus eritematoso sistêmico, também conhecido pela sigla LES, é uma das doenças que vem chamando a atenção no universo acadêmico da medicina por sua complexidade e sua enorme gama de prognósticos para os pacientes. Ele atinge prioritariamente mulheres jovens, em idade fértil, provocando manifestações cutâneas diversas. Embora a pele possa ser o único órgão acometido, é preciso estar atento para outros sinais como artralgia e artrite, além da fotossensibilidade.

O diagnóstico definitivo só pode ser feito por meio de anamnese e exame físico completo, somado à solicitação de alguns exames laboratoriais auxiliares, como o hemograma completo e a proteína C reativa. O tratamento é realizado de acordo com o quadro clínico apresentado, podendo incluir corticoides sistêmicos e imunossupressores, além de medidas não medicamentosas envolvendo dieta, atividade física e proteção solar.

3. Psoríase

A psoríase é outra das manifestações cutâneas que é relativamente comum nos consultórios. Como característica, ela costuma apresentar picos de incidência entre adultos jovens, mas pode acometer outras faixas etárias. Outra propriedade que distingue essa doença é sua apresentação em placas eritematosas e descamativas.

A depender do tipo de psoríase, essas placas podem apresentar um aspecto esbranquiçado ou prateado muito incomum em outras patologias e predominam em articulações como cotovelos e joelhos, além do couro cabeludo e das mãos e pés. O envolvimento das unhas no quadro indica que a situação pode ser mais grave e que há maior risco de envolvimento articular. Há diversas formas de tratamento, como o uso tópico de vitamina D e corticoides, a fototerapia e o uso sistêmico de retinóides e outros agentes imunobiológicos.

4. Escarlatina

A escarlatina é uma doença bacteriana que provoca manifestações cutâneas bem significativas. Além do quadro dermatológico, há a ocorrência de febre alta por cerca de 5 dias, náuseas e dor de garganta. Outro grande diferencial ocorre na língua, que fica com um aspecto típico popularmente conhecido como “língua em framboesa”.

A erupção cutânea se dá pelo aparecimento de inúmeras erupções pequenas e rosadas, que depois evoluem para uma coloração vermelha viva, localizadas no tronco, axilas, pescoço e abdome. Após uma semana a pele pode descamar. O tratamento é feito por meio de antibióticos e sintomáticos.

5. Micose

Não dá para falar das manifestações cutâneas que todo médico deve conhecer sem citar a micose. Ela é tão comum que é seguro afirmar que praticamente todo mundo já teve aquela coceira forte e indesejada na pele, acompanhada de manchas geralmente esbranquiçadas e, eventualmente, uma borda crostosa.

Causada por fungos, seus locais de preferência são áreas que guardam umidade e calor, como pés, couro cabeludo e unhas. A baixa imunidade também pode contribuir para o surgimento do quadro. O tratamento envolve o uso de medicamentos antifúngicos e pode durar de 7 a 60 dias.

6. Melanoma

Ao falar de manifestações cutâneas importantes, não podemos deixar de citar uma das afecções de grande gravidade: o melanoma. É um tumor de pele que confere uma pigmentação mais escura e cresce de forma desordenada. O fator de risco mais importante é a exposição solar excessiva, sobretudo em pessoas com a pele mais clara.

O clínico precisa conhecer o “ABCD”, que ajuda a identificar o quadro. A de assimetria, B de bordas irregulares, C de cor desigual e D de diâmetro, sobretudo quando há mudança no tamanho da lesão. O tratamento precoce é imprescindível, pois o melanoma pode levar à morte quando não tratado. A escolha do arsenal terapêutico depende de diversos fatores que serão avaliados pelo especialista.

7. Impetigo

O impetigo é uma infecção cutânea de origem bacteriana extremamente contagiosa, que acomete principalmente a face ou extremidades do corpo, manifestando-se com maior frequência em crianças, indivíduos com a imunidade debilitada ou que residem em ambientes com más condições de higiene. Os sintomas podem ter início quando a bactéria entra em uma lesão de continuidade da pele, que pode ser um corte, um arranhão ou mesmo uma picada de inseto, mas ocorrem especialmente quando há o contato direto com as lesões de pessoas infectadas.

Felizmente é uma doença benigna e de bom prognóstico, sendo seus agentes etiológicos mais comuns o Staphylococcus aureus e o Streptococcus pyogenes, o que reforça que o tratamento é feito por meio de antibióticos.

Essas são algumas das manifestações cutâneas que todo médico deve conhecer. São afecções muito específicas, o que reforça a importância de uma boa pós-graduação para conferir mais segurança no correto diagnóstico e tratamento por parte do médico.

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