7 manifestações cutâneas que todo médico deve conhecer

1/7/2026
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As afecções ou manifestações cutâneas estão entre as queixas mais comuns que um médico recebe.

‍As manifestações cutâneas estão entre as queixas mais frequentes na prática clínica, tanto em consultórios privados quanto na atenção ambulatorial. 

Com grande variedade de diagnósticos possíveis, conhecer as dermatoses mais prevalentes, e saber identificar suas diferenças sutis, é essencial para qualquer médico. Veja as principais afecções que todo clínico precisa reconhecer.

1. Dermatite atópica

Também chamada de eczema atópico, a dermatite atópica é uma patologia com curso crônico, que causa a inflamação da pele, resultando em áreas de lesão avermelhadas, pruriginosas e que podem ou não descamar. 

É um problema que costuma acometer indivíduos com histórico de alergias, embora isso não seja imperativo. Costuma ser mais comum em crianças, podendo desaparecer com a idade. Há uma maior incidência de casos nos centros urbanos. Os fatores que desencadeiam as crises variam de paciente para paciente.

O tratamento consiste em minimizar o contato com o agente causador, mas também são empregados medicamentos para reduzir a coceira, o edema e a vermelhidão, como os corticoides, a exemplo da betametasona e da dexametasona, e os anti-histamínicos como a loratadina e a difenidramina. 

A fototerapia com raios ultravioletas também pode ser uma alternativa e é utilizada somente em casos mais graves.

2. Lúpus

O lúpus eritematoso sistêmico, também conhecido pela sigla LES, é uma das doenças que vem chamando a atenção no universo acadêmico da medicina por sua complexidade e sua enorme gama de prognósticos para os pacientes. 

Ele atinge prioritariamente mulheres jovens, em idade fértil, provocando manifestações cutâneas diversas. Embora a pele possa ser o único órgão acometido, é preciso estar atento para outros sinais como artralgia e artrite, além da fotossensibilidade.

O diagnóstico definitivo só pode ser feito por meio de anamnese e exame físico completo, somado à solicitação de alguns exames laboratoriais auxiliares, como o hemograma completo e a proteína C reativa. 

O tratamento é realizado de acordo com o quadro clínico apresentado, podendo incluir corticoides sistêmicos e imunossupressores, além de medidas não medicamentosas envolvendo dieta, atividade física e proteção solar.

3. Psoríase

A psoríase é outra das manifestações cutâneas que é relativamente comum nos consultórios. Como característica, ela costuma apresentar picos de incidência entre adultos jovens, mas pode acometer outras faixas etárias. Outra propriedade que distingue essa doença é sua apresentação em placas eritematosas e descamativas.

A depender do tipo de psoríase, essas placas podem apresentar um aspecto esbranquiçado ou prateado muito incomum em outras patologias e predominam em articulações como cotovelos e joelhos, além do couro cabeludo e das mãos e pés. 

O envolvimento das unhas no quadro indica que a situação pode ser mais grave e que há maior risco de envolvimento articular. Há diversas formas de tratamento, como o uso tópico de vitamina D e corticoides, a fototerapia e o uso sistêmico de retinóides e outros agentes imunobiológicos.

4. Escarlatina

A escarlatina é uma doença bacteriana que provoca manifestações cutâneas bem significativas. Além do quadro dermatológico, há a ocorrência de febre alta por cerca de 5 dias, náuseas e dor de garganta. Outro grande diferencial ocorre na língua, que fica com um aspecto típico popularmente conhecido como “língua em framboesa”.

A erupção cutânea se dá pelo aparecimento de inúmeras erupções pequenas e rosadas, que depois evoluem para uma coloração vermelha viva, localizadas no tronco, axilas, pescoço e abdome. Após uma semana a pele pode descamar. O tratamento é feito por meio de antibióticos e sintomáticos.

5. Micose

Não dá para falar das manifestações cutâneas que todo médico deve conhecer sem citar a micose. Ela é tão comum que é seguro afirmar que praticamente todo mundo já teve aquela coceira forte e indesejada na pele, acompanhada de manchas geralmente esbranquiçadas e, eventualmente, uma borda crostosa.

Causada por fungos, seus locais de preferência são áreas que guardam umidade e calor, como pés, couro cabeludo e unhas. A baixa imunidade também pode contribuir para o surgimento do quadro. O tratamento envolve o uso de medicamentos antifúngicos e pode durar de 7 a 60 dias.

6. Melanoma

Ao falar de manifestações cutâneas importantes, não podemos deixar de citar uma das afecções de grande gravidade: o melanoma. É um tumor de pele que confere uma pigmentação mais escura e cresce de forma desordenada. O fator de risco mais importante é a exposição solar excessiva, sobretudo em pessoas com a pele mais clara.

O clínico precisa conhecer o “ABCD”, que ajuda a identificar o quadro. A de assimetria, B de bordas irregulares, C de cor desigual e D de diâmetro, sobretudo quando há mudança no tamanho da lesão. 

O tratamento precoce é imprescindível, pois o melanoma pode levar à morte quando não tratado. A escolha do arsenal terapêutico depende de diversos fatores que serão avaliados pelo especialista.

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7. Impetigo

O impetigo é uma infecção cutânea de origem bacteriana extremamente contagiosa, que acomete principalmente a face ou extremidades do corpo, manifestando-se com maior frequência em crianças, indivíduos com a imunidade debilitada ou que residem em ambientes com más condições de higiene. 

Os sintomas podem ter início quando a bactéria entra em uma lesão de continuidade da pele, que pode ser um corte, um arranhão ou mesmo uma picada de inseto, mas ocorrem especialmente quando há o contato direto com as lesões de pessoas infectadas.

Felizmente é uma doença benigna e de bom prognóstico, sendo seus agentes etiológicos mais comuns o Staphylococcus aureus e o Streptococcus pyogenes, o que reforça que o tratamento é feito por meio de antibióticos.

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FAQ

O que a presença de acantose nigricans no pescoço ou axilas pode indicar sobre a saúde do paciente?

A acantose nigricans — caracterizada pelo escurecimento aveludado da pele em dobras como pescoço, axilas e virilha é um importante marcador clínico de resistência à insulina. Níveis elevados de insulina estimulam receptores cutâneos, aumentando a produção de melanina e queratina. Por isso, ao identificar essa lesão, é fundamental investigar síndrome metabólica, pré-diabetes e diabetes tipo 2, especialmente em pacientes com obesidade.

Como diferenciar as lesões cutâneas do lúpus eritematoso sistêmico (LES) de uma dermatite comum?

As lesões cutâneas do LES ocorrem em 70 a 80% dos pacientes e apresentam características bem distintas. A principal é o eritema malar, mancha avermelhada em "asa de borboleta" sobre as bochechas e nariz que respeita os sulcos nasolabiais, ausente nas dermatites comuns. Além disso, a fotossensibilidade acentuada e as lesões discoides com tendência a cicatriz são achados altamente sugestivos de LES e não de dermatite.

O aparecimento súbito de petéquias e púrpuras na pele deve ser considerado uma emergência médica?

Sim, especialmente em crianças. A presença de erupção petequial generalizada ou purpúrica em qualquer localização, associada a um quadro clínico de doença aguda, é fortemente sugestiva de septicemia meningocócica e exige tratamento urgente e encaminhamento imediato. Nesses casos, não aguarde exames laboratoriais para iniciar a conduta, a progressão pode ser rápida e fatal.

Qual doença sistêmica está comumente associada ao eritema nodoso em membros inferiores?

O eritema nodoso é uma manifestação cutânea inflamatória que funciona como sinal de alerta para diversas condições sistêmicas. As causas mais comuns incluem infecção estreptocócica (principalmente em crianças), sarcoidose e doença inflamatória intestinal, como doença de Crohn e retocolite ulcerativa. Doenças reumáticas como LES e doença de Behçet, além de tuberculose e certos linfomas, também integram a lista de diagnósticos diferenciais.

Como o eritema migratório ajuda no diagnóstico clínico da doença de Lyme?

O eritema migratório é a manifestação mais característica — e muitas vezes patognomônica — da doença de Lyme. Surge como uma mácula ou pápula avermelhada no local da picada do carrapato, geralmente entre 1 e 2 semanas após a exposição, e se expande progressivamente formando uma lesão anular com 5 cm ou mais, frequentemente com área central mais clara. O diagnóstico é essencialmente clínico quando essa lesão está presente, dispensando confirmação laboratorial inicial.

O que são os xantomas eruptivos e qual alteração metabólica eles denunciam na pele?

Os xantomas eruptivos são pápulas pequenas (1 a 4 mm), de coloração amarelada ou vermelho-amarelada, que surgem subitamente nas superfícies extensoras das extremidades, nádegas e tronco. Eles representam um marcador cutâneo clássico de hipertrigliceridemia grave, geralmente com triglicerídeos acima de 1.000 mg/dL. As lesões regridem em semanas a meses após a correção da dislipidemia subjacente, e todo paciente com xantomas deve ter um perfil lipídico completo solicitado.

Quais manifestações cutâneas na infância ajudam a diagnosticar precocemente a doença de Kawasaki?

O diagnóstico de Kawasaki é clínico e exige febre com duração mínima de 5 dias associada a pelo menos quatro critérios específicos. Entre as manifestações cutâneas mais relevantes estão: exantema polimorfo no tronco (sem vesículas ou crostas), eritema e edema em palmas das mãos e plantas dos pés na fase aguda, e descamação periungueal ("em dedo de luva") na fase de convalescença. As alterações orais: lábios fissurados, faringe hiperemiada e língua em morango, complementam o quadro e reforçam a suspeita diagnóstica.

Como identificar o sinal de Leser-Trélat e qual a sua relação com neoplasias ocultas?

O sinal de Leser-Trélat consiste no surgimento abrupto de múltiplas ceratoses seborreicas ou no aumento rápido de lesões preexistentes em semanas a meses, frequentemente acompanhadas de prurido. É considerado um marcador cutâneo paraneoplásico raro, mais comum em pacientes acima de 60 anos, e está associado principalmente a adenocarcinomas de cólon, mama e estômago. Ao identificar esse padrão, é fundamental investigar ativamente neoplasias internas, mesmo na ausência de outros sintomas.

De que forma a insuficiência hepática crônica se manifesta visivelmente através de sinais cutâneos?

A pele pode revelar muito sobre a função hepática. Na insuficiência hepática crônica, são frequentes: icterícia (coloração amarelada da pele e escleróticas), eritema palmar, angiomas estrelados (spider angiomas) no tronco superior, leuconíquia (branqueamento das unhas) e cabeça de medusa — circulação colateral visível no abdome. A presença conjunta de múltiplos desses sinais é altamente sugestiva de doença hepática avançada e indica investigação complementar urgente.

Quais são as características dermatológicas da endocardite bacteriana infecciosa nas mãos e unhas?

As lesões cutâneas da endocardite infecciosa são achados clássicos que auxiliam no diagnóstico. Nas mãos e unhas, destacam-se: hemorragias subungueais (listras avermelhadas sob as unhas), nódulos de Osler (lesões nodulares dolorosas na polpa dos dedos, mais comuns na forma subaguda) e lesões de Janeway (máculas eritêmato-hemorrágicas indolores nas palmas, mais frequentes na forma aguda). A identificação desses sinais periféricos deve direcionar imediatamente para ecocardiografia e hemoculturas.

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